sábado, 23 de maio de 2009

As mariposas de biciletas
A sutil ikebana e os
pêndulos suspensos em anzóis revestem a atmosfera.
contempla.
vê como se transformam as coisas à meia luz?
pede o seu Todo,
arranca das profundezas do estômago as fraturas engolidas com pressa
racha a garganta contraindo o sabor
e cospe em um grito sublime

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Chuva.
Eu sentado nesta calçada vejo
As pernas que passam e penso
Um absurdo silêncio
Posso ouvir a brisa deste cigarro –
Queima lentamente
Insatisfação vital
Os fogos me atraem
Dessa janela não sei se poderia me ver
Se acaso dela saísse com fome mundo
Na procura de um espelho
Veria distante e paciente, momentaneamente paciente;
Não busco realizar nada,
Nada que seja compartilhar um vazio
Mas sentidos se afloram e me fazem desde o início entorpecido
Descrédito da fórmula vida saudável
E este perfume barato que disfarça minha falta de paciência para um banho matinal
Enjoado das minhas próprias ações julgo-me ser pouco neste mundo

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Como Recuperei na minha mente algo que nunca esteve perdido, mas encontrava-se adormecido - a vontade de criar: Ela adormeceu, ou pretendeu adormecer, antes que eu voltasse trazendo um copo de água que me pediu; estava com os olhos fechados e uma expressão tranqüila, seu corpo ainda descoberto deteve minha atenção; se houvesse entre nós mais intimidade eu a acordaria pretextando que não dormisse com sede, ou ainda não pretextando nada, somente que permanecesse mais alguns minutos acordada comigo, mas preferi observá-la enquanto fumava um cigarro, o último daquela noite, ou o segundo daquele dia, pois diversas perspectivas podem ser impressas a uma mesma ação. O resto, nos outros dias, foi trivial: a ressaca, por exemplo, mas a confusão de pensamentos que geralmente me atinge não veio dessa vez e confesso que estranhei.