sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Tempo. Tempo! Tempo.
Passe devagar
divagando eu tenho onde apoiar
meus pensamentos
Divagando eu tenho como equilibrar
meus pensamentos

Por ter pouco tempo eu tenho tido tanta coisa pra fazer
Por ter tanto tempo eu tenho tido tanta coisa por fazer

quando eu crescer eu quero ser criança!
quando eu morrer eu quero ser adubo!

eu não quero viver com esse tempo, tempo, tempo!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

E voltamos aos tempos de Pão:
farinha e água
pra evitar a ressaca
recalcitrantes ou
um outro jeito
qualquer de dizer-nos
teimosos!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Você disse que minha boca seria melhor se eu não fumasse,
Mas você pouco provou minha boca
E eu quis tragar o doce sabor de ver você assim: tão pouco sóbria
Na ponta de uma escadaria
Eu quis te beijar
Te rodar a cabeça
Te fazer poses
Te injuriar de leve, em pequenas agulhadas, em algo que você sentisse como um fluxo de declarações de amor, amizade, simpatia pela sua beleza e a sua carinha magra.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

eu me dividi em muitas coisas
e troquei-as por amizades e sorrisos ébrios
Proporcionei festas no meu corpo
e reguei esperanças

Eu dei sete passos do tamanho de dez
porque eu tive pressa e ainda assim
soube correr lentamente
eu não lutei contra o tempo

eu criei o meu tempo
e me recusei a viver a angústia de vê-lo passar

eu me dividi
como se dividi um pão sem cristo
me dividi nos limites do meu corpo
nos limites de alguns prazeres
entre dois ou mais amores

E foi preciso que eu me repartisse
para me compreender por inteiro.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Manhã.
A marginalidade travestida em transeunte
mas são tantos os sentidos da transformação
que é pouco provável
mesmo que se coma estrelas
que se possa disfarçar para si
a sensação deixada pelo relento
relembro em flashes contínuos
o que era o ontem e o hoje, que vivi sendo o amanhã.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Eu permaneci sob o efeito dos meus usos ainda por um bom tempo, bons tempos.
Embriagadamente obrigado por este copo, por este corpo.
Fervorosamente, por favor me sirva mais uma dose, mais um doce.
Exclusivamente, com licença, preciso cuspir deste viaduto, em direção a outra passagem.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Antigos planos podem sempre ser renovados, em propícias imagens que nos atraem para dentro de uma atmosfera na qual a tudo nos permitimos.
São rupturas dos padrões duais.
Desde que limitaram o mundo à forma como o vemos estabeleceu-se um pacto de silêncio; mas hoje, como não dizer aos mortos que eles não estão vivos?
É preciso avançar!
- Ao que nos interessa.
Por prazer decepcionaremos as mentes conservadoras, antes que elas decepem o nosso instinto criativo.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Por uma fração,
Um momento único no presente,
Onde ao limite da ação
Há um prazo insuficiente,
Já não cabe no mundo meu tempo

Há tanto penso e me desfaço
Realizo uma nova consciência
E a minha identidade, substrato recorrente,
É forjada quando a guilhotina retorna à inércia

sábado, 23 de maio de 2009

As mariposas de biciletas
A sutil ikebana e os
pêndulos suspensos em anzóis revestem a atmosfera.
contempla.
vê como se transformam as coisas à meia luz?
pede o seu Todo,
arranca das profundezas do estômago as fraturas engolidas com pressa
racha a garganta contraindo o sabor
e cospe em um grito sublime

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Chuva.
Eu sentado nesta calçada vejo
As pernas que passam e penso
Um absurdo silêncio
Posso ouvir a brisa deste cigarro –
Queima lentamente
Insatisfação vital
Os fogos me atraem
Dessa janela não sei se poderia me ver
Se acaso dela saísse com fome mundo
Na procura de um espelho
Veria distante e paciente, momentaneamente paciente;
Não busco realizar nada,
Nada que seja compartilhar um vazio
Mas sentidos se afloram e me fazem desde o início entorpecido
Descrédito da fórmula vida saudável
E este perfume barato que disfarça minha falta de paciência para um banho matinal
Enjoado das minhas próprias ações julgo-me ser pouco neste mundo

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Como Recuperei na minha mente algo que nunca esteve perdido, mas encontrava-se adormecido - a vontade de criar: Ela adormeceu, ou pretendeu adormecer, antes que eu voltasse trazendo um copo de água que me pediu; estava com os olhos fechados e uma expressão tranqüila, seu corpo ainda descoberto deteve minha atenção; se houvesse entre nós mais intimidade eu a acordaria pretextando que não dormisse com sede, ou ainda não pretextando nada, somente que permanecesse mais alguns minutos acordada comigo, mas preferi observá-la enquanto fumava um cigarro, o último daquela noite, ou o segundo daquele dia, pois diversas perspectivas podem ser impressas a uma mesma ação. O resto, nos outros dias, foi trivial: a ressaca, por exemplo, mas a confusão de pensamentos que geralmente me atinge não veio dessa vez e confesso que estranhei.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Novocaína
Um novo olhar para o mundo
Perdido,
Dançando entre flores oculares
Um espetáculo de aprendiz
A água de um cacto de luz
Perdi-me, como se perde de vista um navio
Que vai buscar no horizonte,
A tênue linha do conforto,
A gaivota circundante,
Atônito ao desencanto.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Eu deixo o tempo me
Comer por
Enquanto eu como pelas beiras

terça-feira, 10 de março de 2009

terça-feira, 3 de março de 2009

colherada ...

Desperto ainda com a estranha sensação de cansaço, mesmo após ter abortado a missão noturna da embriaguez
Nos caminhos que percorro, penso na transformação das atuais condições,
Na abolição da linguagem e em como acreditamos em certas expressões, como vida saudável, ou justiça policial, que guardam em si uma contradição entre os termos. Um pessimismo óbvio, uma idéia que não me é original, mas que constantemente me aparece renovada pelas velhas situações.
O desprezo que sinto pela miséria a que chamamos de vida não encontra o suporte, o escape na sua negação, mas na vontade de reconstrução.
Penso em quanto tempo eu tenho me dedicado a realmente viver
Sem tendências, formas ou fatores
sem me importar a subsistência
E o reino das palavras tem apenas antecipado o desejo da libertação
Criado o solo para a caminhada, como a imagem do fim do espaço
Diversas confusões; embora algumas tenham se organizado e não aflorem mais tão constantemente, mesmo que continue a negar as certezas
Neste dia de calor atenho-me a relatos na intenção de recuperar os pensamentos perdidos
Dentro do ônibus e do metrô
Com pouca paciência para as refeições limito-me à alimentação, sem paciência para a ordem dos talheres,
É tudo na colher!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

há tensão

Atenção à vida
sempre preste
a ser mal vivida;
com o amor mal feito às pressas,
com os sorrisos e piscadelas de disfarçe
das inconveniências que não tomamo-nos
em coragem para revidar.
eu resisto
em um grito noturno
que me desperta do pesadelo e me traz de novo a mim.
acordo com a corda enrolada no pescoço
e vejo-a transformar-se em uma serpente
que dança balé ao som de um jazz qualquer
que invento na minha mente
assim desvencilho me de alguns problemas,
mas não esqueço do veneno que me dá o soro do sempre aprender

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Quebre-se o inútil
Afaste-se o fútil.
Queira-se o útil
Que desperta o desejo no simples.

Mesmo em momentos pouco inteligentes
Para se fazer grandes deduções
É necessário transpor os muros
Que separam-nos da nossa verdadeira
Criação

Sem apostar no óbvio como condução do pensamento
Sem resgatar os defuntos como fonte de vida.
Rasgar a carne e deixar o sangue correr
Paro respiro, reaprendo o ar e suas finalidades

Voaria e viveria no fundo de um céu ou de um mar,
Na Indefinida imensidão; a junção, no horizonte, dos azuis celeste e marítimo
Mas mantenho meus pés em terreno fértil e natural
Pois aqui é que se vive esse ser

Hoje sou nuvem, mas
Se algum dia houver
Em que eu exista somente
Na forma do pensamento
No conceito de energia,
Que eu seja luz.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O espelho da verdade
É a visão do avesso
É a pressuposição da existência de uma relação que está implícita nos atos e ações
O espelho da verdade reflete a própria intenção e a intenção alheia
É um espelho auto crítico, porque nos coloca diante da liberdade da percepção
E do questionamento: porque nos colocamos em determinadas situações? Porque não rompemos com certas regras e conveniências, na busca de uma interelação mas sincera?
E não a uma vida que se assemelha a um jogo

domingo, 15 de fevereiro de 2009

músiva 1

Uma nova ressaca se anunciava em mim
Antes mesmo de iniciar os procedimentos
Comuns ao meu dia a dia
A prévia do sentimento detectada parabolicamente ... (falado com efeito-afeto antes do início):
A cada troca de canal
O propício é encontrar o que não está perdido
Será que alguma coisa não se perderá?
NO RADIO DA TV DA CABEÇA
O Auspício de quem se encontra face a face ao precipício

E se abisma ao saber-se só
e o silêncio de quem liga a televisão
a função “A beira (abeira) da sensação inteira”
a função da parábola: pela beira
Que funcione a parabólica da mente que não conecta a televisão (daí muda)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

nem todos os dias são iguais

Há os de hábito estranho e a lua
Há os de hálito fresco e a rua
O vício e o gosto
A brisa no rosto
De rima simples e pouco variada
É pouco do SON pro sono ... é um “ó”
Tem pouco som .


Todos os dias são iguais
Sigo para dentro no não faz me desfaz
No espelho reflexo do confrontamento
Eu sou um ALENTO de inapto
Ato que sigo solitário
Rumo ao nada

Eu fumo pra fazer fumaça
Eu fumo pra fazer fumaça
E o bafo do dragão
Eu fumo pra fazer a cabeça
Eu fumo pra fazer a cabeça
É a chama do dragão
Eu fumo pra matar a fome
Eu fumo pra matar a fome
É a morte do dragão
Eu fumo pra fazer o soro
Eu fumo pra fazer o soro
É o veneno do dragão
Eu cuspo fogo.
Onde é que você foi?
Eu fui do mato fazer fumaça
E o que é que você viu?
A cobra beber cachaça
E o anel da mão da serpente

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

E as fábricas começam a buzinar. Um movimento que responda às exigências dessa primeira década do século XXI, não começa no ano dois zero zero nove, seu desenvolvimento teórico e prático é fruto de um acúmulo, mesmo que as transformações no cenário exijam uma atuação correspondente por parte dos que acreditam na transformação revolucionária da sociedade; diversos processos demonstraram a vida de algumas concepções surgidas das lutas políticas protagonizadas pelos trabalhadores e por isso são relembrados. Mas o corporativismo surdo que abala as principais discussões de hoje também não fala sobre a relevância de que os estudantes se organizem e discutam política.. Para responder a esfinge que afirma devoro-te e devoro-te, e despeja as massas de trabalhadores às margens, na precária condição de vida; e, para não citar saúde, educação e alimentação, ao corte dos salários negociados com os sindicatos dos fajutos, é preciso forjar uma nova pergunta. Decifro-te e destruo-te!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Incompleta

Uma fase incompleta da consciência em que toda a vida se parece como a negação da própria vida; E, por isso, vive-se a apatia - porque nenhuma relação social se parece verdadeiramente viva, quando dissolvida entre os milharess que sobem as escadas rolantes.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O propício é encontrar que não está perdido.
Será que alguma cois anão se perderá?
O auspício de quem se encontra face a faca ao precipício e se abisma ao saber-se só; e o silêncio que precede a solidão de quem liga a televisão.
A função à beira da sensação inteira.
A parábola funciona a parabólica maneira que conecta.