sábado, 19 de abril de 2008

kijeme

Kijeme era assim: situada nos arrabaldes, crescia profana. Geralmente repousadas sobre o chão batido, as habitações, em armação de madeira e barro, cujas paredes não chegavam ao teto, feito de Màrìwò, eram o espaço da vida e da morte familiar. Havia para cada habitação um quintal, espaço para a realização das diversas atividades domésticas e local de brincadeiras para as crianças. Esconde-o-chifre, Pega-o-osso, Corre-corre, Pega-pega; -“Esse saiu à Sapucaia! Ó o papagaio aí, ó!” Onde? “Ó, ai.” Entre outras.
Assim cresceram. Ao pé da figueira de treze troncos; às margens da lagoa tola; comendo Jambo, Eugênia, Syzygium malaccence e enfeitando-se com sementes de Juerama e Tento, e tabocas.
Joati, cuja bossa era procurar o odú, reaprendia constantemente as atividades da vida cotidiana. Seus movimentos eram sutis e exatos. Controlava cada osso metatarso, postos em arco, quando andava passo em passo; seus assobios ludibriavam até mesmo os pássaros: - “Bem-te-vi!” Bem-te-vi e diversos outros pio-pios soavam de seus lábios frequentemente.
Joatã era amante. Amava com paixão, variando-a, à passio , frequentemente crescia-lhe no peito uma dor, não conseguia olhar com o coração frio o sofrimento alheio, sentia certa simpatia por quem sofre – era, então, um tipo de amor que inspirava desconfiança.

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