sábado, 19 de abril de 2008

Táiwò

Joati era o táiwò, o primeiro a nascer dos gêmeos; logo provou do mundo e soube-o acre, abismou-se.
Lamentava-se: – jamais poderei desaparecer voluntariamente, quando tiver vontade. Pretender sucumbir à fraqueza, não resistir às mágoas feitas pelos mundos é substituir uma força alquebrada por uma outra força, uma outra afirmação: – Se pudesse, assumiria contra tudo e todos uma recusa de coragem! Rolland Barthes
Costume entre os primeiros: a Íye, durante o Àisùn, na noite que precede o começo das cerimônias de iniciação, cantar o dom, a bossa, ao filho. E, então, em tom grave, Íye cantou:

E rora f´ésò j´ayé o
E rora f´ésò
B´áyé ba já kó se é so si mó
E rora f´ésò j´ayé o


Delicadeza é a vida,
Goza-a com cuidado.
Se o mundo se arrebenta,
Nada o emenda.

Ao fim saudou-o: - Oyin Fúnsó! O mel entregou este ser aos meus cuidados.
O kéhinde, Joatã, nasceu-morto. Paradoxo. E Íye, devota, cantou:

Wá gba awon erú re,
Ki fio mo wa silé fún wa
Kiósà á gbé wa

Vem buscar tuas oferendas.
Deixa-nos teu filho na terra
Para que o orixá nos proteja

Em Kijeme, fizeram abluções e tomaram beberagens vegetais, feitas com infusão de certas folhas, cascas e raízes que contém o axé, a força. O kéhinde abriu os belos olhos e Iyé saudou-o com ventura: - Mosebólátán! Enganaram-se os que pensaram que as realizações haviam terminado.
Assim nasceram. Em Kijeme era assim.

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