Já há tempos, um fenômeno me tem chamado a atenção: o da incapacidade humana de compreensão. Um número considerável de indivíduos não consegue distinguir diferenças no discurso de um orador entre “aquilo que desejam ouvir” e “o que ouviram realmente”. A aparente semelhança desse fenômeno com o daltonismo erroneamente nos faz crer que isso seja causado por algum distúrbio que nos impossibilite de diferenciar a tonalidade e os timbres que geralmente são facilmente discernidos, o que nos levaria à adoção de uma desorientada expressão como “daltonismo sonoro”. Digo desorientada porque, embora acredite que essa incapacidade seja realmente adquirida por algum distúrbio, um análogo exato do daltonismo seria a completa incapacidade de distinguir a tonalidade dos sons e não a incapacidade de perceber as peculiaridades essenciais de cada tonalidade. Porém, não me basta apenas dizer que a incapacidade de diferenciação sonora existe e que ela é causada por certo distúrbio sem tentar, no mínimo, explicar quais os motivos que geram esse tipo de dificuldade.
A investigação desse fenômeno tem-se reduzido à fonologia das línguas, pois sabe se que estamos sujeitos a compreender equivocadamente uma palavra que ouvimos pela primeira vez e cuja derivação não conhecemos, porém restringir o fenômeno da incompreensão à fonologia seria reduzi-lo demasiadamente, pois as explicações provenientes desse tipo de análise não nos levaria a compreender o que leva dois indivíduos, que falam uma mesma língua e criados sob uma mesma determinada cultura, a serem capazes de uma incompreensão das intenções presentes nos discursos de cada um. É preciso esclarecer, que o objetivo deste empreendimento é entender a má compreensão das intenções contidas em um discurso, uma fala, e não a má compreensão dos sons.
Teremos, então, que nos aprofundar sobre um aspecto pouco explorado nas teorias antropológicas sobre a comunicação humana; para isso consideraremos as reações de um interlocutor ao discurso de um orador, ponderando sobre a influência de seus aspectos psicológicos sobre a fisiologia de seu aparelho auditivo. Dessa forma, tentarei demonstrar que uma possível explicação para a arte do desentendimento humano se encontra na incompatibilidade que o sistema auditivo adquire diante da fala quando os dois agentes de um diálogo, orador e interlocutor, se encontram em diferentes estados psicológicos e de espírito
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Há 11 anos

Um comentário:
ê foucault!
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